Dia 5 de Julho fiz o teste que confirmou o que eu já sentia há umas 2 semanas, vinha aí uma estrelinha!
Dois dias depois contámos à Tiz que ficou em puro delírio! Cinco dias antes, tinha tornado a perguntar pelo bebé: "O Jesus está a demorar muito tempo a trazer o bebé, eu já pedi há tanto tempo!"
Ela deu a notícia aos avós e foi impossível contê-la, sabiamos que contaria a toda a gente. Da gravidez dela fomos mais cautelosos, só contamos após a eco das 8 semanas, mas agora não conseguiamos não contar à Beatriz... e por conseguinte ao resto do mundo :) Rezamos e pedimos a Deus que corresse tudo bem, era como Ele quisesse.
A 14 de Julho, dia dos anos da Beatriz, consulta com uma médica nova (como desde a outra gravidez, tirei a tiróide, o médico sugeriu que esta gravidez fosse seguida no hospital, para ter um acompanhamento mais próximo). Fiquei admirada por a médica fazer logo a eco, pois ainda estava com pouco mais de 6 semanas... Eco feita, vi o saco gestacional, mas nada de embrião. A médica disse logo que o mais provavél era o embrião não se desenvolver e eu iria ter, mais dia menos dia um aborto espontâneo... Teria de repetir a eco daí a uma semana, e estaria no Algarve nessa altura, mas que com a viagem de avião, o mais certo era a coisa dar-se rapidamente.
Ora que belo dia para receber uma notícia destas, choro, nervos, desilusão, e agora põe uma cara alegre e vamos para a festa da escola da Tiz!
Na semana seguinte e já no Algarve, procurámos uma clínica na zona onde estávamos para repetir a eco. Vimos um embrião com o coração a bater e tudo aparentemente normal. Toca a voltar na semana seguinte, antes de voltar para Lisboa, e aí tudo desmonora novamente... já não consegue encontrar o coração do bebé e a medição também não corresponde ao tempo.
Já estávamos num desespero, afinal estava grávida ou não? Grávida sabia que estava, os sintomas continuavam lá, pessoas que não me conheciam e com que fizemos amizade no hotel, identificaram logo a minha gravidez, não havia como esconder a barriga cada vez maior... E afinal havia ou não bebé?
Dois dias depois no regresso a casa, fui logo ao Garcia de Orta, um hospital em que confio e onde fui em busca de uma certeza, de uma luz em toda esta história.
Após a explicação do enredo desta novela mexicana, a médica diagnosticou um aborto retido e lá acedeu a fazer a eco após falar com um chefão.
Enquanto ambos faziam a eco, falavam muito baixinho, um com o outro e eu não conseguia ouvir nada com o barulho do ar condicionado, até que ele virou o ecrã para mim e disse: " Olhe para isto, você não está grávida, está gravidíssima! Está tudo excelente, perfeitamente normal, os batimentos cardiacos ok e não há nada que revele ameaça de aborto."
E eu vi um bebézinho perfeitinho, com bracinhos e perninhas bem definidos, com o coração a bater, a nadar dentro de mim.
O médico estava estupefacto de eu ter vindo de um hospital particular, com um diagnóstico daqueles e sem um relatório a acompanhar... Eu não conseguia controlar as lágrimas e abracei os dois. Assim que pude, corri cá para fora e abracei-me ao P., que no meio das minhas lágrimas e euforia, ficou estupefacto e felicíssimo com o actual diagnóstico!
Desde então fiquei mais relaxada e pude saborear finalmente este estado. Foram quase 3 semanas, de angústia e incerteza, que logo coincidiram com as nossas tão esperadas férias de papo para o ar, em terras algarvias.
Ambos concordámos que este pequeno ser, tinha mesmo que ser muito resistente, para ter sobrevivido a tanta variação emocional, choros e preocupacões da sua mãe. Só podia ser um guerreiro/a!
Por isso ontem, ao termos descoberto o recheio deste ovo kinder, que melhor nome que este?
Matilde - ... força no combate...guerreira que combate com energia...